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terça-feira, 5 de julho de 2011

Estudantes, professores e técnicos debatem calendário acadêmico em assembleia

Estudantes, professores e técnicos debatem calendário acadêmico em assembleia

Victor Seabra
Núcleo de Jornalismo
Assessoria de Comunicação

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Comunidade acadêmica tem até o dia 13 para decidir por uma proposta. Fotos: Anderson Freire/Ascom


Cerca de 400 pessoas, entre professores, técnicos administrativos e estudantes da UNEB, participaram na manhã de hoje (27) de uma Assembleia Geral Universitária (AGU) para discutir a elaboração de um novo calendário.
O encontro, realizado no Teatro UNEB (foto home), Campus I da universidade, em Salvador, deu continuidade ao debate iniciado pelos discentes da capital, que reunidos em assembleias estudantis nos últimos dias 20 e 27 de junho definiram uma proposta de calendário referente à retomada das aulas na instituição após a greve docente.
“Não queremos tirar a legitimidade da greve dos professores,  mas realizar um diálogo com todos os segmentos da UNEB para construir uma proposta com 100 dias contínuos de aula, mesmo que para isso seja necessário abrir mão das férias em janeiro”, ponderou Paulo Roberto Souza, discente do curso de relações públicas (Campus I) e um dos representantes da mobilização estudantil.
De acordo com os organizadores do encontro, essa assembleia geral foi realizada pela primeira vez reunindo os três segmentos da instituição, dos campi da capital e do interior do estado.
O estudante Paulo Roberto, o professor Jean Rêgo, do Campus II, em Alagoinhas — que representou a Associação dos Docentes (Aduneb) —, e Edson Pinto, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhados em Educação do Terceiro Grau do Estado da Bahia (Sintest), compuseram a mesa de abertura do encontro, acompanhados de relatores dos respectivos segmentos.
Jean Rêgo lembrou que, por sua multicampia, discutir a UNEB é muito complexo, “por isso é importante analisarmos todas as propostas, já que os calendários aqui sugeridos prezam pela responsabilidade e cidadania”.
Já Edson Pinto ressaltou que os três segmentos universitários devem se manter unidos para o fortalecimento das bandeiras de luta de cada entidade.
O pró-reitor de Graduação (Progad), José Bites, por meio de comunicado, se colocou à disposição dos participantes da assembleia para esclarecimentos acerca do calendário acadêmico.

Nova proposta

A Assembleia Geral Universitária foi convocada para que estudantes, técnicos administrativos e professores pudessem avaliar as três propostas existentes para os semestres 2011.1 e 2011.2, elaboradas pelo movimento estudantil e pela Prograd.
Durante a reunião, os discentes do Campus IV da universidade, em Jacobina, apresentaram uma nova proposta de calendário.
“Propomos o cancelamento do semestre 2011.2, já que com as propostas apresentadas nunca vamos regularizar o calendário de aulas ou contemplar todas as categorias dos 24 campi”, destacou Cassiano Ferreira, estudante do curso de história.
De acordo com essa proposta, o semestre de 2011.1 teria começado no dia 17 de junho, com término previsto para 24 de outubro, perfazendo um total de 129 dias letivos. O semestre referente ao período 2011.2 iniciaria em fevereiro de 2012.
“A universidade vai além das aulas. Não ficaremos parados em novembro e dezembro. Nesses meses queremos complementar nossa formação com atividades de pesquisa e extensão. Os alunos novos, que serão aprovados no próximo vestibular, entrariam no segundo semestre de 2012, já com a casa arrumada”, defendeu Anajara Tavares, discente de fonoaudiologia (Campus I).
A professora Sinoélia Pessoa, do Campus X, em Teixeira de Freitas, aprovou a nova proposta: “Vou defender o cancelamento do segundo semestre. Antes era assim: saíamos em dezembro e voltávamos em março”.
Os três segmentos universitários concordaram em realizar novas reuniões departamentais, até o dia 9 deste mês, para discutir o calendário acadêmico. Estudantes agendaram para esta quinta-feira (8) um encontro no Teatro UNEB, no Campus I, que terá transmissão via videoconferência.
A definição de uma proposta consensual será feita em nova assembleia geral, a ser realizada do dia 13, às 9h. A deliberação final sobre o calendário será feita pelo Conselho Universitário (Consu) da instituição, no próximo dia 27.

Cinco skinheads são presos em flagrante agredindo negros em São Paulo


Fonte: br.noticias.yahoo


SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu na madrugada deste domingo cinco jovens integrantes de um grupo skinhead. Eles foram presos em flagrante quando agrediam quatro pessoas na Rua Vergueiro, Aclimação, região central de São Paulo.
Foram detidos Welker de Oliveira Guerreiro, 19 anos; Guilheme Witiuk Ferreira de Carvalho, 21; Pedro Toledo de Souza, 19; Julio Ramon de Lima, 21 e Kauê Baldon Barreto, 18. Com o grupo foram encontradas facas, uma caneta com ponta de ferro e até um machado. Um dos detidos usava uma camiseta com os dizeres White Pride (Orgulho Branco, em inglês).
As vítimas dizem que estavam sendo agredidas quando viram a aproximação de uma viatura da Polícia Civil que passava pela região. Os policiais perceberam a movimentação e interromperam a agressão.
Em depoimento à polícia, duas das vítimas, um orientador socioeducativo e um estudante, dizem ter sido agredidas porquem eram negros. Elas prestaram queixa por racismo. Os detidos irão responder ainda por tentativa de homicídio e formação de quadrilha.
O movimento skinhead surgiu na Inglaterra no final da década de 60. Inicialmente, não possuia conotação racista ou sequer política. O ritmo negro e jamaicano do ska era uma das trilhas sonoras dos skinheads ingleses. No final da década de 70, porém, integrantes do movimento aproximaram-se de políticos da extrema-direita inglesa e até de neonazistas. No Brasil, os primeiro skinheads surgiram no início da década de 80.

sábado, 2 de julho de 2011

Eric Hobsbawm a era dos extremos




Eric Hobsbawm - A era dos extremos

"Era dos Extremos" é o clássico ensaio histórico do intelectual inglês Eric Hobsbawm sobre o século 20, no qual "mataram-se mais seres humanos do que em qualquer outra época" e o homem "chegou a níveis de bem-estar e a transformações jamais vistas", como definiu o jornalista Elio Gaspari em resenha sobre o livro. Com texto elegante e esclarecedor, Hobsbawm examina os acontecimentos, ações e decisões que moldaram o século, assim como seu legado de questões e impasses. Sua tese é de que o século teve início com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e terminou com a derrocada da União Soviética, em 1991. Para ele, são três grandes eras: a da "catástrofe (de 1914 a 1948), marcada pelas duas grandes guerras, pelo surgimento dos fascismos e da URSS como alternativa ao capitalismo; a "era dourada" (de 1949 a 1973),

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A mais triste derrota da Segunda Guerra

por Daniel Lopes


-- "A estranha derrota", de Marc Bloch --
Aqui vai em um parágrafo a biografia do historiador e militar francês Marc Bloch, para quem ainda não o conhece. Nascido em 1886 em Lyon, era descendente, por parte de pai, de uma família judia. Ele mesmo seria judeu não-praticante, declarando-se orgulhosamente judeu apenas diante de antissemitas. Sempre fiel aos princípios da República francesa, formou-se em história na Sorbonne e em seguida estudou em Berlim. Serviu a seu país na Primeira Guerra Mundial, com o término da qual foi lecionar em Estrasburgo. Teve seis filhos com Simonne Vidal. Pela idade e pela quantidade de filhos, não era obrigado a servir na Segunda Guerra, mas voluntariou-se para tanto. Seu país vencido pelos nazistas em 1940, exilou-se na Inglaterra, mas logo voltou para a França. Em 1943 passou a lutar no movimento clandestino contra os nazistas . Em março de 1944 foi pego pela Gestapo e torturado. Em junho, foi fuzilado junto com outros rebeldes. Antes de descer do caminhão que os levava, tentou acalmar um jovem prisioneiro que chorava: “Vão nos fuzilar, mas não tenha medo, não vão nos fazer sofrer.” Antes de tombar, gritou: “Vive la France!”.
A estranha derrota foi escrito em sua casa de campo, de julho a setembro de 1940, quando de seu retorno da Inglaterra. Algumas notas do autor datam de 1942. a intenção era publicá-lo assim que a França fosse libertada. O manuscrito passou por várias casas de amigo, fugindo dos policiais alemães. A primeira edição apareceu dois anos após a morte de Bloch, a segunda em 1957, a terceira em 1961, sempre sem chamar muita atenção. Apenas a partir da edição de 1990, da editora Gallimard, a obra passou a figurar como uma das mais importantes da historiografia da Segunda Guerra, um relato sobre a capitulação da França em 1940 diante do invasor alemão, escrito ainda no calor dos acontecimentos.
Naquele fatídico ano, Marc Bloch estava na fronteira com a Alemanha, servindo em um estado-maior de infantaria, quando a invasão eclodiu em 10 de maio, às 4 horas e 45 minutos da manhã. Bate em retirada com alguns de seus homens por várias cidades e vilarejos, escapando por pouco de ser pego em Rennes, onde ainda conseguiu ficar hospedado por vários dias em um hotel, tendo se registrado com nome e ofício verdadeiros – o ofício de professor universitário.
Por que a França foi derrotada em 1940? A questão intrigou por muitos anos os pensadores e estudiosos dos mais diversos campos. O fato de a Alemanha ser superior militarmente não bastava para explicar por que houve tão pouca resistência por parte dos franceses e, consequentemente, a invasão tenha sido tão rápida e bem sucedida. O motivo pelo relato de Bloch ter passado e ser bastante valorizado é que 1)seu autor estava bem colocado para entender os motivos técnicos da derrota, mas, além disso, 2)conseguiu explorar com habilidade os motivos morais por trás da derrota militar. Cada uma dessas faces da derrota, por sua vez, é multifacetada.
A tragédia militar mais imediata, observa Bloch, reside no péssimo trabalho dos serviços de inteligência franceses, que, além de não saberem que o número de tanques inimigos era muito maior do que supunham, também não conseguiram decifrar as verdadeiras intenções do outro lado. Em seguida, já com o ataque em andamento, houve uma assombrosa descoordenação com os aliados britânicos, que rapidamente abandonaram partes do continente.
Pouco antes do ataque alemão, os generais franceses debateram quais das duas táticas seguintes deveriam adotar: se plantar bem em solo francês e se preparar com todas as forças e recursos para rechaçar um ataque, ou adiantar suas posições para solo belga a fim de travar por lá o combate com os alemães. Acabaram escolhendo a segunda tática, o que, para Bloch, foi fatal – deixando a linha de seu exército em formato de uma foice, os postos mais avançados foram facilmente cercados e derrotados pelas forças hitleristas, e o solo francês em seguida penetrado sem oferecer resistência digna do nome.
Outro fator além das más táticas contribuiu para a débâcle: a excessiva burocracia francesa, que engessou o país. Eram documentos e comunicados importantes que se perdiam nos mais diversos órgãos, nunca ou apenas com muito atraso encontrando seus destinatários, era o excessivo número de comandantes – “Será que nunca entenderemos [que] quando o número de chefes superpostos é grande demais, a responsabilidade se dilui a ponto de não ser vivamente sentida por nenhum?” –, era o atraso no recrutamento e treinamento de novos praças, e era, quando enfim veio o ataque alemão, o conjunto de regulamentos que não deixava para soldados inteligentes e ciosos de seu dever a menor margem para improvisar para resistir melhor ao inimigo – “[os alemães] acreditavam na ação e no imprevisto. Nós tínhamos jurado fé à imobilidade e aos caminhos já batidos”.
A falta de resistência vinda dos ares foi particularmente dolorosa; ao lembrar que vários aviões franceses simplesmente ficaram pegando poeira em seus hangares, Bloch revela em uma de suas valiosas notas de rodapé que encontrou um aviador civil devidamente convocado mas jamais autorizado a subir em um jato para combater os nazistas.
Jovens e audaciosas, as forças de Hitler tinham um ritmo superior ao dos franceses, com diversos vícios de formação e mentalidade burocrática. Desabafa Bloch:
No local que a sorte lhes destinou [aos solados franceses], seu ritmo cotidiano prolongava a cadência dos tempos de paz e a atmosfera mental tinha um odor poeirento de gabinete ou de distrito. Todos estavam convencidos, sobretudo, de que não estariam no front. Mas o inimigo rompeu o contrato.
No decorrer da guerra, como hoje sabemos, a dinâmica do jogo mudaria (especialmente após a entrada da URSS e dos EUA ao lado de França e Inglaterra), mas Bloch não era vidente, não tinha como prever a invasão alemã da União Soviética nem sua declaração de guerra aos Estados Unidos, e enquanto escrevia em 1940 tinha todos os motivos para ser o pessimista de voz amarga que em momentos do livro revela ser. Ademais, a intenção de Bloch ao notar a letargia do exército francês é, na parte final de seu depoimento, intitulada “Exame de consciência de um francês”, fazer a ligação desse sonambulismo com os vícios da sociedade francesa como um todo. Um exército não é um corpo isolado do restante da sociedade, e embora Bloch não chegue a ponto de dizer que cada país tem o exército que merece, podemos com segurança dizer que uma de suas conclusões implícitas é de que talvez apenas por um milagre aquele exército francês poderia ter se comportado diferente daquela sociedade francesa.
Desta última, Marc Bloch virtualmente não pouca nenhum dos principais atores, a começar pela classe com que ele próprio se identifica, a dos supostos representantes das “tendências autenticamente liberais, desinteressadas e humanamente progressistas”, que “cometeram um de seus erros mais graves esquivando-se de qualquer esforço para se fazerem compreender melhor por um grupo profissional onde subsistiam valores morais tão altos” – uma referência à classe dos jovens militares, facilmente seduzidas pelas ideias da imprensa de extrema-esquerda. A burguesia, distanciando-se das aspirações populares, “se afastava, sem perceber, da própria França”.

-- O autor --
Atravessado por todo o país encontrava-se aquele sentimento de adoração pela França profunda, pela vida campesina, de aversão à máquina e à sociedade industrial. Enquanto a Alemanha “triunfou através da máquina [e] pretende reservar para si esse monopólio”, a França se via tomada por uma literatura que denunciava o “americanismo” e os frutos consumados do progresso material. Ora, avalia Bloch não sem alguma fúria,
é preciso ter a coragem de assumir que o que acabou de ser vencido em nós foi justamente a nossa cara cidadezinha do interior.. Seus dias de ritmo tão moroso a lentidão de seus ônibus, suas administrações sonolentas, as perdas de tempo que uma negligência indolente só faz multiplicar, a ociosidade de seus cafés de caserna, suas politicagens de visão curta, seu artesanato de baixo lucro, suas bibliotecas de prateleiras viúvas de livros, seu gosto pelo conhecido e sua desconfiança contra qualquer surpresa que possa perturbar os hábitos confortáveis – eis o que sucumbiu diante do ritmo infernal que o famoso “dinamismo” de uma Alemanha de colmeias vibrantes dirigiu contra nós.
Lendo esse capítulo “Exame de consciência de um francês”, me peguei pensando de vez em quando naquele livro apocalíptico de Jean-François Revel, Comment les démocraties finissent, de 1983.
Revel observa que, no caso de um enfrentamento que eventualmente envolva uma guerra total, a vantagem tática dos totalitarismos contra as democracias é dupla: 1)os regimes totalitários não têm que prestar contas à sua população e podem comandar uma campanha de agressão externa ao mesmo tempo que suprimem a dissidência interna, e 2)por sua própria natureza, as democracias têm que acomodar em seu espaço público os próprios propagandistas do inimigo, como os apologistas do fascismo na Inglaterra dos anos 30 ou os intelectuais e partidos comunistas dos EUA e Europa Ocidental durante a Guerra Fria. É por isso, escreveu Revel, que o mundo todo sabe dos crimes estadunidenses no Vietnã, para onde foram repórteres do mundo todo, principalmente dos EUA, enquanto que, por exemplo, o genocídio chinês no Tibete sequer ganhou os rodapés de livros de história (embora a repressão e os assassinatos continuem, com a imprensa mantida devidamente afastada). E é por isso, previu ele, que não será surpresa se o bloco soviético finalmente triunfar e a democracia entrar para os registros apenas um breve parênteses na história da humanidade. Apenas, Revel subestimou a capacidade da resistência interna ao totalitarismo e superestimou o potencial da economia comunista se manter de pé.
Mas permanece o fato de que o preço do sucesso das democracias sempre foi e continua sendo a eterna vigilância e a disponibilidade para um pronto enfrentamento de movimentos totalitários. Os fanáticos, nacional-socialistas ou de qualquer outra estirpe, acreditam estar de posse da Verdade e da Razão Histórica, e são sempre bastante decididos e comprometidos com sua causa, o que a democracia, eternamente uma obra em progresso e acomodadora de interesses diversos, nem sempre é.
Enquanto Hitler executava seu projeto de opressão e carnificina doméstica e externa, com um Fim em mente e sem tolerar qualquer oposição, a França, para coroar sua tragédia, se viu tomada de greves em setores fundamentais. Apenas nas democracias os sindicatos são independentes do Estado. Os trabalhadores queriam trabalhar menos e ganhar mais. “Em tempos normais, nada mais natural”, diz Bloch. Mas durante um ataque externo?
Existe alguma coisa mais “pequeno-burguesa” que a atitude, durante esses últimos anos e na própria guerra, da maioria dos sindicatos e, sobretudo, do sindicato dos funcionários públicos? Estive algumas vezes em algumas assembleias do meu ofício. Aqueles intelectuais não tratavam sequer das pequenas questões, que dirá das grandes.
Dizer que as cúpulas dos sindicatos pensavam pequeno é uma forma de ver a questão. Outra, é reconhecer que pensavam grande, mas com outras prioridades no horizonte.
Os sindicatos franceses, e não apenas de lá, eram comandados por quadros do Partido Comunista ou por russófilos ou simpatizantes de Moscou. A invasão da França pela Alemanha se deu em maio de 1940. Em agosto de 1939, URSS e Alemanha haviam assinado seu pacto de não-agressão. De repente, em todo o mundo, as mentes teleguiadas a partir da Rússia passaram a ver os nazistas como a ameaça menor. O inimigo prioritário passou a ser o imperialismo britânico ou as próprias “democracias burguesas”, tudo menos o Eixo. Esse modo de pensar, evidentemente, durou apenas até a Operação Barbarossa, em meados de 1941, mas, até lá, não era preciso muita genialidade para compreender a motivação por trás de certos “pacifistas” britânicos contrários à guerra anti-nazi e, na França, por que os sindicatos não viam a defesa da República como algo essencial.
Porque não há dúvida de que as greves foram um movimento da cúpula. Falando de trabalhadores como os ferroviários, Bloch reconhece que são, “em sua imensa maioria”, gente de bom caráter, mas não está certo se “seus representantes” tinham noção da grandeza de suas responsabilidades para com a defesa frente à investida alemã.
Diziam que o capitalismo francês era duro com seus servidores e, com certeza, não estavam errados. Mas esqueciam que a vitória dos regimes autoritários acarretaria inevitavelmente a sujeição quase total de nossos operários. (…) Gostavam de jogar com as palavras e talvez por terem perdido o hábito de encarar o próprio pensamento tenham se enredado nos fios dos próprios equívocos. (…) Eles murmuravam – pude ouvi-los – que os hitleristas não eram, em suma, tão malvados quanto queriam pintá-los: sem dúvida, pouparíamos mais sofrimento escancarando as portas para eles do que nos opondo, pela violência, à invasão. O que não pensam hoje esses bons apóstolos, na zona ocupada, tiranizada, esfomeada.
Na verdade, os apóstolos se virariam ainda alguns meses mais na prática da supressão de pensamentos desconfortáveis. Com a entrada dos soviéticos na guerra, voltariam a se declarar patriotas, pelo menos até 1945.
Marc Bloch era inteligente demais para não saber do papel do pacto Molotov-Ribbentrop no adormecimento da consciência nacional de setores franceses. No entanto, embora, como vimos, ele aborde algumas das mais nocivas consequências finais disso, nunca levanta o tema em si com todas as letras. Por quê? Talvez ele tivesse alguma fé que Stalin pudesse entrar na luta ao lado de Inglaterra e França, ajudando na libertação desta, e não queria alienar em seu texto os companheiros de luta? Mas isso era muito improvável, porque ninguém imaginava a invasão alemã de 41.
Quando nos deparamos com uma pessoa da integridade e capacidade de Bloch, naturalmente aumentamos o nível de exigência. E a verdade é que, no que toca o papel do comunismo soviético na derrota francesa, sua análise fica aquém do esperado. Sabemos que o autor abominava o nazismo e que não era anti-comunista. Mais que isso, revela em seu relato nutrir certo apreço pelo pensamento de Marx. Mas será que nutria alguma esperança na URSS? No outro lado do Canal da Mancha, ainda nos anos 30, Orwell batalhou incansavelmente contra os pacifistas e anti-imperialistas genuínos e contra os pacifistas e anti-imperialistas comunistas, para pôr os pingos nos “is” e desmontar a tese de que o imperialismo britânico representava uma ameaça maior à paz mundial do que a ofensiva nazi-fascista. Na França, Bloch jamais chegou a esse nível de diagnóstico em relação à contribuição das ideologias totalitárias para a derrota francesa de 1940. Não podemos esquecer da quinta coluna fascista e antissemita que recebeu de braços abertos os nazistas. Não podemos subestimar o ódio comum à democracia e às liberdades formais que deixavam extrema-esquerda e extrema-direita menos distantes do que desejariam estar uma da outra – Jacques Doriot (1898-1945), pensador radical e membro do PC francês, aderiu em 1936 ao fascismo e acabaria colaborador do exército de Hitler.
Em alguns momentos, para falar a verdade, não pude deixar de me perguntar se Bloch, com sua análise quase completa, não foi na verdade, já antes de 1940, mais uma das vítimas intelectuais que, conforme ensinou Revel, pavimentam o caminho para a derrocada da democracia.

::: A estranha derrota ::: Marc Bloch (trad. Eliana Aguiar) ::: Zahar, 2011, 172 páginas :::
– LEIA TAMBÉM –
::: Comment les démocraties finissent ::: Jean-François Revel ::: Grasset, 1983, 332 páginas :::

terça-feira, 28 de junho de 2011

Festival de História em Diamantina - BORA LÁ PESSOAL?

Festival de História em DiamantinaAs inscrições serão abertas no dia 15 de julho de 2011. ( Agende esta data aí)
O fHist foi concebido de forma a propiciar a manifestação, em diversos palcos e cenários, da diversidade da produção editorial e artística com foco nos temas da História. Ambientado na bem preservada paisagem histórica e cultural da cidade de Diamantina, o festival se desenvolverá em auditórios, salas de aula, praças, ruas e becos do centro do velho do Arraial do Tijuco, no período de 07 a 12 de outubro de 2011.

Para tanto, a edição 2011 do fHist oferecerá aos seus convidados e participantes uma programação envolvente e criativa:

Tenda de historiadores e jornalistas – Espaço principal do fHist, localizado na Praça Doutor Prado, antiga Praça da Cavalhada Velha do Arraial do Tijuco, a tenda, com capacidade para 500 participantes, irá abrigar as conferências e mesas principais de debates durante todo o festival.

Cinema no teatro – Em sessões no auditório do Teatro Santa Izabel, antiga Cadeia Velha, recém-reformado pelo IPHAN, os participantes poderão assistir a filmes sobre temas históricos, especialmente selecionados pela organização do fHist, e conversar com diretores e atores convidados.

Proseando no mercado – No Mercado Velho, antigo pouso dos tropeiros, hoje espaço cultural, os autores convidados do fHist poderão falar ao público sobre os seus livros e debater com a platéia.

Livraria da História – Em espaço especialmente reservado no velho mercado, o público terá às mãos os mais recentes lançamentos de livros de História.

Oficinas de História – Antecedendo o festival, uma intensa programação de oficinas e residências criativas, voltadas para os professores e a juventude de Diamantina, colocará os temas históricos e a educação patrimonial na ordem do dia.

Oficininha de Histórias – Na praça do mercado, a manhã do dia das crianças, 12 de outubro, será dedicado a atividades lúdicas e históricas para a meninada.

Histórias cruzadas - Em múltiplas manifestações artísticas, as bandas de música, grupos musicais e folclóricos e as escolas, museus, bibliotecas, livrarias, restaurantes e bares oferecerão durante todo o evento uma programação cultural excepcional, focada em temas históricos. Entre estas manifestações, destacam-se:

Vesperata – Na famosa Rua da Quitanda, os músicos das bandas nas sacadas centenárias, regidos pelo maestro no centro da rua, darão boas-vindas aos participantes e convidados, abrindo a programação cultural do fHist no dia oito de outubro.

Música no mercado – Durante todo o festival, um palco na Praça Barão de Guaicuí, antiga Praça da Cavalhada Nova do mercado, receberá músicos especialmente convidados pelo fHist.

Concertos – Palco das tradições musicais barrocas, as igrejas do centro histórico abrirão suas portas para concertos sinfônicos durante o festival.

Performances de época – Durante os cinco dias do festival, os bares e restaurantes do centro histórico oferecerão aos visitantes atrações especiais, acompanhadas de pratos da saborosa culinária regional.

Trilha histórica e cultural – Cortejo e passeata pelas ruas e becos do centro histórico da cidade, acompanhando bandas e grupos musicais e folclóricos no encerramento festivo do fHist.

As inscrições serão abertas às 12 horas do dia 15 de julho de 2011. Cadastre-se para receber informações do fHist.

Fonte: fHist e Diário do Jequi

Dicionário de língua morta há 2 mil anos é completado após 90 anos de pesquisas

 
Volumes do dicionário assírio
Dicionário, lançado pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, tem 21 volumes
Após nove décadas de pesquisas, o dicionário de uma língua que deixou de ser falada há quase 2 mil anos foi finalmente completado, com o lançamento de seu último volume.
O dicionário de assírio – ao lado do babilônico, um dos dois dialetos da língua acádia, falada na Mesopotâmia antiga – tem 21 volumes e é enciclopédico em seu alcance.
Volumes inteiros são dedicados a uma única letra, e a obra traz referências extensivas a fontes originais da língua.
“Este é um momento heroico e significativo na história”, declarou Irving Finkel, do departamento de Oriente Médio do Museu Britânico e que nos anos 1970 participou por três anos do projeto The Chicago Assyrian Dictionary.
O projeto, lançado pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago em 1921, envolveu quase uma centena de pesquisadores que catalogaram registros e referências num trabalho que gerou mais de dois milhões cartões de indexação de registros.
Para o professor Matthew W. Stolper, do Instituto Oriental, o trabalho de pesquisa para o dicionário era “muitas vezes tedioso”, mas ao mesmo tempo “fascinante e recompensador”.
“É como olhar por uma janela um momento de milhares de anos no passado”, disse ele.
Tábuas de argila e pedra
Martha Roth, editora do dicionário, folheia um dos volumes
Para a editora do dicionário, Martha Roth, obra mostra mundo muito familiar
O dicionário foi compilado por meio do estudo de textos escritos em tábuas de argila e pedra descobertas na área da antiga Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, na região onde hoje está o Iraque e partes da Síria e da Turquia.
Os textos analisados, com assuntos que incluem documentos científicos, médicos e legais, cartas de amor, literatura e mensagens aos deuses, compreendem um período de 2.500 anos.
“É uma coisa milagrosa. Podemos agora ler as palavras de poetas, filósofos, mágicos e astrônomos como se eles estivessem nos escrevendo em inglês”, afirma Finkel.
“Quando começaram a escavar no Iraque em 1850, encontraram muitas inscrições no solo e em paredes dos palácios, mas ninguém podia entender uma palavra daquilo, porque a língua estava extinta”, observa.
Para a editora do dicionário, Martha Roth, o mais impressionante no estudo não foram as diferenças, mas as semelhanças entre aquela época e hoje.
“Em vez de encontrar um mundo estranho, encontramos um mundo muito familiar”, diz ela, sobre os textos de pessoas preocupadas com suas relações pessoais, com amor, emoções, poder e questões práticas como irrigação e uso da terra.
Avanço da civilização
Tábua com escrita cuneiforme da antiga Mesopotâmia
Mesopotâmia é apontada como um dos 3 ou 4 lugares do mundo onde a escrita apareceu
Gregos, romanos e egípcios são muito mais proeminentes tanto na consciência popular quanto nos currículos acadêmicos hoje em dia.
Mas no século 19, era a Mesopotâmia que fascinava os estudiosos – em parte porque os pesquisadores tentavam descobrir provas para algumas das histórias da Bíblia, mas também por causa do avanço daquela civilização.
“Muito da história de como as pessoas deixaram de ser apenas humanos para ser civilizados aconteceu na Mesopotâmia”, diz Stolper.
Vários grandes avanços teriam tido lá sua origem e a Mesopotâmia é apontada como um dos três ou quatro lugares no mundo onde a escrita apareceu.
Segundo Finkel, a escrita cuneiforme, usada tanto no dialeto assírio quanto no babilônico, foi usada pela primeira vez pela língua suméria e teria sido uma inspiração para os hieróglifos egípcios.
Obra em andamento
Apesar da grandiosidade do projeto, os pesquisadores envolvidos no dicionário fazem questão de enfatizar suas limitações.
Eles ainda desconhecem o significado de muitas palavras e dizem que a publicação permanecerá como uma obra em andamento conforme novas descobertas forem sendo feitas.
O dicionário inteiro foi colocado à venda por US$ 1.995 (cerca de R$ 3.175), mas também foi disponibilizado de graça em uma versão online.

Peter burke - A Escola dos ANNALES (1929 - 1989)


Peter Burke - A Escola dos ANNALES.
A obra apresenta uma visão larga e profunda sobre as abordagens teóricas e metodológicas nos estudos de História. Traz, portanto, um estudo do movimento “Annales”, e a tentativa de compreensão do universo ideológico francês, explicando-o da década de 20, até às gerações posteriores, as teorias e as práticas do historiador em relação a outros cientistas e suas respectivas ciências sociais.

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